Começo essa edição já falando que meu pai não liga para dia dos pais. Ele liga somente para aniversários. Eu respeito e em casa, exceto quando a escolinha tinha eventos do dia, nunca houve nenhuma celebração assim.
Mas eu posso afirmar, com toda convicção, que meu pai é o cara que me fez acreditar que todo homem cozinha, lava louças e cuida da casa.
Não é verdade, claro, mas cresci em uma casa onde tudo era dividido e o jantar era dele e o almoço da minha mãe; e de Sexta-feira era algo especial e tranquilo como sanduíches, cachorro quente e pizza. Fora os jantares brasileiros de todo dia, e uma obsessão gigantesca por carne (bom, Mato Grosso do Sul na veia), ele sempre foi uma grande chef de sanduíches - e passou para o meu irmão, outro talento para sanduíches.
Eu hoje contribuo com os pães que levo de presente para ele, que ama, e aí os sanduíches ele mesmo monta. Finjo não ligar para o fato de que o pão francês é escolhido para isso porque “o seu pão é especial e para comer devagarinho". O truque de fatiar o pão e congelar foi seguido a risca (um homem que segue todas as regras, meu pai) e dura por bastante tempo.
Tem uma história que eu amo muito, porque sou bem a princesinha do meu pai, que é lá dos anos 80, quando um dia ele entrou em um táxi comigo e o motorista olhou pelo retrovisor e disse “Não tem como não falar que ela não é sua filha".
Os cabelos cacheados são iguais, o rosto grande é igual e o sorriso largo também. Infelizmente não herdei a capacidade de me bronzear, nem os dentes perfeitos ou o foco que ele tem, mas ele me levou no meu primeiro show de rock aos 7 anos de idade e gostamos das mesmas bandas até hoje.
Aliás, pai, o vinil do The Who eu não vou devolver, não!
Black Sabbath sempre foi um grande amor dos dois


